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Guia do carnaval do Rio de Janeiro 2018

12 FEV 2018
12 de Fevereiro de 2018
O carnaval carioca de 2017 foi trágico. Apesar dos sempre deslumbrantes desfiles e umas das melhores safras de sambas de todos os tempos, a folia do ano passado sempre vai ser lembrada pelas tragédias com os carros da Paraíso do Tuiuti (que matou a radialista Liza Carioca) e da Unidos da Tijuca (que feriu dezesseis feridos) e pelo título da Mocidade Independente dividido com a Portela após um erro grotesco da LIESA. Mais: para ~homenagear as vítimas~ (leia-se não punir ninguém, em uma saída política vergonhosa), não houve rebaixamento.

O pós-carnaval não foi menos traumático. Primeiro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, cortou a verba para as escolas de samba?—?as agremiações foram socorridas posteriormente pelo governo federal. Além disso, oMinistério do Trabalho fechou a Cidade do Samba (local onde ficam os barracões das escolas do Grupo Especial) em outubro por conta de falhas estruturais?—?mais da metade dos barracões só foram reabertos em dezembro. Por fim, não tivemos os tão tradicionais e importantes ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí em 2018.

Por todos esses motivos, o carnaval carioca deve estar muito e ainda mais nivelado que o normal?—?com qualidade inferior aos anos anteriores, infelizmente. Mas, é claro, nunca duvide da capacidade dos artistas que fazem o carnaval de se reinventar.

Abaixo, confira um breve resumo das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro por ordem de desfile:

Império Serrano

Nove anos depois, a Serrinha volta para o Grupo Especial do Rio de Janeiro. Para se estabilizar no primeiro pelotão do carnaval carioca, a escola foi buscar um carnavalesco de impacto: Fabinho Ricardo, com passagens por São Clemente e Grande Rio, chegou à coroa.

Quando o enredo foi definido, o susto: China? Rota da seda? Isso daria um bom samba? E deu. Aliás, apesar de algumas canções de pouca qualidade nesse milênio, o cartel de grandes sambas imperianos é imenso. E, mais uma vez, a ala de compositores mostrou sua competência com uma belíssima obra?—?com dois refrões que, discutivelmente, são os melhores do ano. Como toda escola que sobe do Grupo de Acesso, a preocupação é com os quesitos estéticos?—?por mais que, em 2017, o Império só tenha perdido um décimo nesse aspecto, a exigência no pelotão de elite é muito maior.

Samba bom, carnavalesco competente, comunidade animada, pré-carnaval atribulado pra todo mundo. O contexto imperiano é dos mais animadores pra permanecer no Grupo Especial em 2019?—?e, pouco a pouco, começar o gradual processo de recuperação de uma gigante da folia carioca.

Presidente: Vera Lúcia Corrêa de Souza | Bairro: Madureira | Ordem: primeira no domingo de carnaval | Em 2017: campeã do Grupo de Acesso | Enredo: “O Império do samba na rota da China” | Diretores de Carnaval: Zé Luis Scafura e Hélio Oliveira | Diretor de Harmonia: Cosme Márcio | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Feliciano e Raphaela | Puxador: Marquinho Art’Samba | Carnavalesco: Fabio Ricardo | Bateria: Sinfônica do Samba | Diretor de Bateria: Mestre Gilmar

Fique de olho: de 2006 para cá, apenas uma escola que veio do Grupo de Acesso não foi a última colocada no ano seguinte ao desfilar no Grupo Especial. A missão do Império Serrano, como pode ver, é complicada.
São Clemente

A passagem da experientíssima Rosa Magalhães pela amarelo-e-preto foi curta (três anos), mas marcante: com belíssimos desfiles, a escola ficou com a sensação de que poderia ter resultados melhores. Com a carnavalesca indo para a Portela, uma imensa incógnita pairou sobre Botafogo. Quem tem a missão de substituir um dos maiores nomes da história do carnaval carioca, um novato: Jorge Silveira, vindo da Dragões da Real e da Viradouro, assina, pela primeira vez, um desfile solo no Grupo Especial do RJ.

Silveira tirou a responsabilidade de letra: com um enredo muito bem feito sobre o bicentenário da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, não faltará um bom tema na avenida?—?nem o bom samba que veio dele. Resta saber, porém, se a escola seguirá sendo julgada com o excessivo rigor que tradicionalmente têm com a agremiação.

A passagem de bastão de uma carnavalesca como Rosa Magalhães para qualquer outro nome é sempre complexa. Embora a São Clemente tenha uma boa expectativa, o ano é de reconstrução para a escola.

Presidente: Renato Almeida Gomes | Bairro: Botafogo | Ordem: segunda a desfilar no domingo | Em 2017: nona no Grupo Especial | Enredo: “Academicamente popular” | Diretor de Carnaval: Ricardo Almeida Gomes | Diretor de Harmonia: Marquinhos Harmonia | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Fabricio e Amanda | Puxador: Leozinho Nunes | Carnavalesco: Jorge Silveira | Bateria: Fiel | Diretores de Bateria: Mestres Gil e Caliquinho

Fique de olho: a Fiel Bateria tem uma característica muito peculiar. É a única bateria que não usa apitos em seus desfiles, com diretores e ritmistas se comunicando por meio de gestos e feições.
Unidos de Vila Isabel

Quem viu a escola de Noel Rosa em 2017 estranhou. Com exceção do belo samba-enredo, pouco se salvou do desfile da tradicional escola?—?que, mais uma vez, esteve em grave crise financeira e política. Ao menos em 2018, aparentemente, foram poucas notícias negativas para a Vila?—?que ainda conseguiu contratar a grande vedete do carnaval de hoje em dia: Paulo Barros, atual campeão do carnaval.

Ao falar o nome do carnavalesco, todos já sabem o que esperar: um desfile dinâmico e que sempre agrada o público, com enredos cheios de referências e sambas-enredo de qualidade abaixo da média. A receita foi seguida à risca em 2018, no desfile sobre inventores e invenções.

A Vila Isabel sobe um patamar com a contratação de Paulo Barros. Não dá para esperar, porém, que a escola seja imediatamente favorita ao título.

Presidente: Levi Júnior | Bairro: Vila Isabel | Ordem: terceira no domingo de carnaval | Em 2017: décima do Grupo Especial | Enredo: “Corra que o futuro vem aí!” | Diretor de carnaval: Ricardo Fernandes | Diretor de Harmonia: Marcelo Emoção | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Raphael e Denadir | Puxador: Igor Sorriso | Carnavalesco: Paulo Barros | Bateria: Swingueira de Noel | Diretor de Bateria: Mestre Chuvisco


Paraíso do Tuiuti

Grande beneficiada com a ausência do rebaixamento no carnaval passado, a escola de São Cristóvão veio para 2018 querendo acabar com qualquer imagem negativa. Para isso, trabalhou em silêncio. O resultado foi um enredo interessantíssimo sobre os 130 anos do fim da escravidão. Mas não pense que é um enredo comemorando a Lei Áurea ou coisa do gênero: o desfile irá questionar se, de fato, ainda não temos (ou somos) escravos, de alguma forma.

A ideia de enredo de Jack Vasconcelos (pelo quarto ano na Tuiuti) foi finalizada com um belíssimo texto, o que rendeu um dos melhores sambas do ano?—?escrito, inclusive, por Cláudio Russo, histórico integrante da Beija-Flor. Para ajudar, a canção caiu muito bem no trio Nino do Milênio, Celsinho Mody e Grazzi Brasil.

A Paraíso do Tuiuti passa longe de ser uma escola com muito dinheiro, e deve compensar potenciais problemas estéticos com o samba e com o enredo. Ficar no Grupo Especial não é um sonho tão distante assim para a agremiação de São Cristóvão.

Presidente: Renato Thor | Bairro: São Cristóvão | Ordem: quarta a desfilar no domingo de carnaval | Em 2017: décima segunda no Grupo Especial | Enredo: “Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?” | Diretor de carnaval: Leandro Azevedo | Diretor de Harmonia: Mauro Amorim | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Marlon e Danielle | Puxadores: Grazzi Brasil, Celsinho Mody e Nino do Milênio | Carnavalesco: Jack Vasconcelos | Bateria: Super Som | Diretor de Bateria: Mestre Ricardinho


Acadêmicos do Grande Rio

A Tricolor de Duque de Caxias realizou um sonho antigo no pós-carnaval de 2017: conseguiu contratar Renato Lage para desenvolver seu carnaval. Genial como poucos, o carnavalesco deu vida a um enredo saudoso e bem escrito sobre Abelardo Barbosa, o imortal Chacrinha. O problema foi, justamente, a consequência disso.

O samba escolhido pela escola da Baixada Fluminense não agradou a ninguém?—?algo comum na agremiação, inclusive. Mais uma vez a Grande Rio precisou fazer mudanças para melhorar a canção ao gravá-la no CD, e o resultado ficou ligeiramente melhor. O enredo, de vocação obviamente popular, também deve ser tratado com cuidado para não cair em um pieguismo ainda maior que os programas comandados pelo Velho Guerreiro.

A chegada de Renato Lage dá uma nova perspectiva à Grande Rio. Para os próximos anos, Duque de Caxias deve vir fortíssima. Mas precisa voltar a ter bons sambas para isso.

Presidente: Milton Perácio | Cidade: Duque de Caxias | Ordem: quinta no domingo de carnaval | Em 2017: quinta no Grupo Especial | Enredo: “Vai para o trono ou não vai?” | Diretor de Carnaval: Dudu Azevedo | Diretores de Harmonia: Rodrigo Soares e Thiago Monteiro | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Rodrigo e Priscilla | Puxador: Emerson Dias | Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage | Bateria: Invocada | Diretor de Bateria: Mestre Thiago Diogo

Fique de olho: dez anos depois de deixar a Viradouro, Juliana Paes volta a ser madrinha de bateria na Grande Rio?—?escola que, tradicionalmente, leva o maior contingente de celebridades à Sapucaí.
Estação Primeira de Mangueira

Como o leitor observou no começo do texto, o pré-carnaval de 2017 foi complicadíssimo. E isso foi motivo de enredo para o sempre criativo Leandro Vieira, carnavalesco da verde-e-rosa: as dificuldades para se construir o maior espetáculo da Terra e a demonização da Folia de Momo. Desde quando o tema do desfile mangueirense foi revelado, a escola ganhou a hype de favorita para o próximo ano.

Mais que uma boa ideia, o enredo da Mangueira é muito bem escrito. O samba, de fato, poderia ser melhor, mas tem bons predicados e passagens?—?e, além de tudo, um refrão facílimo de ser cantado e que deve contagiar a Sapucaí.

A verde-e-rosa vem, mais uma vez, prometendo muito e com chances realíssimas de buscar o título. Parafraseando o enredo da escola, o desfile não vai ser brincadeira.

Presidente: Chiquinho da Mangueira | Bairro: Mangueira | Ordem: sexta no domingo de carnaval | Em 2017: quarta no Grupo Especial | Enredo: “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” | Diretores de Carnaval: Comissão | Diretores de Harmonia: Dimichel Velasco e Sérgio Lucchesi | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus e Squel | Puxadores: Ciganerey e Péricles | Carnavalesco: Leandro Vieira | Bateria: Tem Que Respeitar Meu Tamborim | Diretores de Bateria: Rodrigo Explosão e Vitor Art

Fique de olho: Péricles, de carreira muito mais ligada ao pagode que ao samba, fará sua estreia numa escola justamente na mais querida do planeta?—?como diria o saudoso Luizito. Ao menos a comunidade mangueirense abraçou o cantor com muito carinho.
Mocidade Independente de Padre Miguel

Vila Vintém vive, há anos, com altos e baixos. De um décimo lugar em 2016, a escola dividiu o título com a Portela em 2017. Por isso, fazer qualquer prognóstico para a Estrela-Guia é sempre muito complicado. O que dá para dizer é que a escola fez bem o que campeãs costumam fazer: manter o staff. Mais do que isso: o enredo de 2018 guarda muitas semelhanças com o do ano passado.

Se em 2017 a Mocidade Independente foi campeã falando do Marrocos, o desfile desse ano será sobre a Índia. O enredo, embora não permita grandes novidades ou surpresas, foi bem conduzido pelo sempre competente Alexandre Louzada. O samba não é um primor, como o de 2017, mas cumpre bem o seu papel.

A receita para seguir firme na parte de cima da tabela foi bem feita pela Mocidade. Vamos ver se, após muito tempo, a Estrela-Guia consegue emplacar dois bons desfiles?—?e duas boas colocações.

Presidente: Wandyr Trindade (Vô Macumba) | Bairro: Padre Miguel | Ordem: sétima no domingo de carnaval | Em 2017: campeã do Grupo Especial | Enredo: “Namastê: A estrela que habita em mim, saúda que habita em você” | Diretores de Carnaval: Marquinho Marino | Diretores de Harmonia: Robson Veloso e Wallace Capoeira | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Marcinho e Cristiane | Puxador: Wander Pires | Carnavalesco: Alexandre Louzada | Bateria: Não Existe Mais Quente | Diretor de Bateria: Mestre Dudu

Fique de olho: cantando em sua escola do coração, Wander Pires gravou o samba-enredo da Mocidade visivelmente rouco no CD. Que isso não aconteça no dia do desfile.
Unidos da Tijuca

De todas as escolas que sofreram com alguma tragédia em 2017, a Unidos da Tijuca foi a que mais tem a lamentar. Não só pelo desabamento de um carro, mas também pelo clima que tomou conta do Pavão. O pior é que a busca por um enredo que fizesse a escola dar a volta por cima não foi bem aceito.

Todos sabem que Miguel Falabella é um grande homem e uma grande pessoa. Mas… combina com samba? Se for ver pelo samba da escola, não. O próprio enredo não parece ser tão bem trabalhado, o que gerou um samba de baixa qualidade. A parte sono da escola (uma das melhores do Rio de Janeiro, com Tinga e a Pura Cadência de Mestre Casagrande) vai ter trabalho para sustentar a canção.

O desfile, plasticamente, vai ter que superar todos esses poréns. Acho difícil que consiga uma posição no Desfile das Campeãs.

Presidente: Fernando Horta | Bairro: Tijuca | Ordem: primeira a desfilar na segunda-feira de carnaval | Em 2017: décima primeira do Grupo Especial | Enredo: “Um Coração Urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem” | Diretor de Carnaval: Fernando Costa | Diretor de Harmonia: Fernando Costa | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Alex e Jack | Puxador: Tinga | Carnavalescos: Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo | Bateria: Pura Cadência | Diretor de Bateria: Mestre Casagrande

Fique de olho: essa é a primeira vez que a Unidos da Tijuca abre uma noite de desfiles desde 2000. O horário, complicado por natureza, pode ser ainda mais traumático para o Pavão.
Portela

Encerrado o jejum de trinta e três anos sem títulos, o desafio da Águia é outro: se manter no topo. Sem Paulo Barros, a escola foi buscar uma das carnavalescas que mais apresentam e honram o estilo clássico da Portela: Rosa Magalhães.

Não é preciso dizer que o enredo, uma aula de tolerância com pano de fundo do livro “Caminhos Cruzados”, escrito por Paulo Carneiro e que conta a saga dos refugiados de guerra judeus no Recife, é ótimo?—?e, na mão da competentíssima ala de compositores portelenses, se transfomou em mais um belo samba da escola de Madureira.

Apesar de ser apenas o primeiro ano de Rosa Magalhães na Portela, pensar em título não é um sonho distante. Pelo contrário, se deixar?—?ou por sinal.

Presidente: Luis Carlos Magalhães | Bairro: Madureira | Ordem: segunda na segunda-feira de carnaval | Em 2017: campeã do Grupo Especial | Enredo: “De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá” | Diretores de Carnaval: Fabio Pavão e Claudinho Portela | Diretores de Harmonia: Comissão | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Marlon e Lucinha | Puxador: Gilsinho | Carnavalesca: Rosa Magalhães | Bateria: Tabajara do Samba | Diretor de Bateria: Nilo Sérgio

Fique de olho: Paulo Carneiro, escritor que ~deu origem~ ao enredo portelense desse ano, trabalhou por dezesseis anos em um jornal do Grande ABC, região em que o autor do guia nasceu, cresceu e mora até hoje.
União da Ilha do Governador

A Ilha, em 2017, era uma incógnita. Carnavalesco novo, primeira a desfilar… o desafio foi tirado de letra em um desfile acima das expectativas. Agora, o objetivo é ir além. Embora uma vaga no Desfile das Campeãs seja algo difícil, é alcançável.

Severo Luzardo parece ter captado muito bem o espírito leve da Ilha. Em 2018, o enredo gastrônomico cai como uma luva para uma escola acostumada a brincar o carnaval?—?ainda mais em um ano com enredos tão críticos. O samba, porém, merecia mais.

Dos desfiles de 2018, o da Ilha talvez seja o mais exótico pelo tema leve. Vamos ver como torcida e jurados receberão a agremiação insulana.

Presidente: Ney Filardi | Bairro: Cacuia | Ordem: terceira na segunda-feira de carnaval | Em 2017: oitava no Grupo Especial | Enredo: “Brasil Bom de Boca” | Diretor de Carnaval: Wilsinho Alves | Diretor de Harmonia: Valber Frutuoso | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Phelipe e Dandara | Puxador: Ito Melodia | Carnavalesco: Severo Luzardo | Bateria: 40 Graus | Diretor de Bateria: Mestre Ciça

Fique de olho: mestre Ciça é, reconhecidamente, um dos diretores de bateria mais criativos e ousados do carnaval. Prepare-se para uma série de paradinhas, bossas e convenções dos ritmistas da 40 Graus.
Acadêmicos do Salgueiro

A terceira colocada de 2017 deveria vir forte para o ano seguinte, certo? Não foi o que aconteceu com a Academia do Samba. A escola perdeu dois dos seus pilares de sustentação recentes, e os prognósticos salgueirenses não são animadores.

Serginho do Porto, dos principais puxadores da escola, saiu?—?agora, Leonardo Bessa conta com Hudson Liiz e Tuninho Junior para ajudá-lo no microfone. O carnavalesco também é novo: desde 2003 na escola, Renato Lage saiu e deu lugar a Alex de Souza.

Parece que o Salgueiro vem com bem menos força que nos anos anteriores e que 2018 será um ano de adaptação. Uma vaga no Desfile das Campeãs já seria bem recebida pela escola, pelo visto.

Presidente: Regina Celi | Bairro: Andaraí | Ordem: quarta na segunda-feira de carnaval |Em 2017: terceira no Grupo Especial | Enredo: “Senhoras do ventre do mundo” | Diretor de Carnaval: Alexandre Couto | Diretores de Harmonia: Jô Calça Larga, Siro e Tia Alda | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Sidcley e Marcella | Puxadores: Leonardo Bessa, Hudson Luiz e Tuninho Júnior | Carnavalesco: Alex de Souza | Bateria: Furiosa | Diretor de Bateria: Mestre Marcão

Fique de olho: o enredo de 2018 é muito parecido com o de 2007, grande sucesso salgueirense que falava das Candaces, mulheres da realeza africana. Eu, particularmente, esperava mais criatividade.
Imperatriz Leopoldinense

Parece que, pouco a pouco, a escola da região da Leopoldina vai se reconstruindo. O problema é que os resultados ainda não apareceram com tanta força na agremiação. Para tentar mudar esse panorama, uma ótima aposta de Cahê Rodrigues: falar do bicentenário do Museu Nacional?—?na Quinta da Boa Vista, lugar muito adorado pelos cariocas.

Não faltam histórias para falar de um museu tão importante, e o enredo foi muito bem construído pelo carnavalesco. O samba é, sem dúvida, um dos melhores do ano. Pra ajudar, a Imperatriz vai desfilar em um horário que costuma receber campeãs?—?quinto horário da segunsa noite.

Talvez o título seja muito, mas voltar para o Desfile das Campeãs em uma boa colocação é um objetivo bem realista para os gresilenses.

Presidente: Luiz Pacheco Drummond | Bairro: Ramos | Ordem: quinta na segunda-feira de carnaval | Em 2017: sétima no Grupo Especial | Enredo: “Uma noite real no Museu Nacional” | Diretor de Carnaval: Wagner Tavares Araújo | Diretor de Harmonia: Junior Escafura | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Thiaguinho e Rafaela | Puxador: Arthur Franco | Carnavalesco: Cahê Rodrigues | Bateria: Swing da Leopoldina | Diretor de Bateria: Mestre Lolo

Fique de olho: a Imperatriz Leopoldinense é conhecida por fazer desfiles técnicos?—?ou seja, que não empolgam muito, mas faz bonito e chega em boas colocações. Vamos ver se a sina continua em 2018.
Beija-Flor de Nilópolis

Após propor uma nova concepção de carnaval em 2017, com refrão de samba mais longo, canção arrastada e sem divisão de alas, a Beija-Flor volta com mais polêmicas em 2018. Agora, no enredo.

Os boatos de que a comissão de carmavalescos chegaria ao fim não se concretizaram, e eles desenvolveram um enredo com muita crítica social a políticos, elites e, em alguns casos, ao próprio povo?—?tudo muito bem construído pelos comandados pelo histórico Laíla. O samba, valente e melodioso, é a cara da escola nilopolitana. Pra ajudar, a Beija-Flor fecha a noite de carnaval?—?assim como em quatro dos últimos cinco títulos da escola.

O contexto é muito favorável à Beija-Flor, que deve ser colocada entre as favoritas de 2018?—?a despeito de desfiles de pouco brilho nos últimos dois anos.

Presidente: Ricardo Abrahão David | Cidade: Nilópolis | Ordem: sexta na segunda-feira de carnaval | Em 2017: sexta no Grupo Especial | Enredo: “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” | Diretor de Carnaval: Laíla | Diretor de Harmonia: Laíla | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso | Puxador: Neguinho da Beija-Flor | Carnavalescos: Comissão | Bateria: Soberana | Diretores de Bateria: Mestres Plínio e Rodney

Fique de olho: no sorteio para definição da ordem de desfile, a Beija-Flor só poderia escolher noite e colocação se tirasse a bola de número dez?—?a de maior valor. E foi exatamente isso o que aconteceu. A sorte voltou a sorrir para a agremiação nilopolitana?
Texto: Willian Ferreira
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