Menu

O Lugar certo da emoção!

Guia do carnaval de São Paulo  2018

12 FEV 2018
12 de Fevereiro de 2018
Após o surpreendente e merecido título da Acadêmicos do Tatuapé em 2017, as escolas de samba de São Paulo viveram dias de aparente tranquilidade no pré-carnaval. Fora as tradicionais mudanças no staff de cada agremiação, foram poucas as notícias de fato relevantes que poderiam mudar o destino dos desfiles em 2018.

Assim como todo ano, há sempre uma escola que ganha uma hype especial por conta de seu enredo, samba e por aí vai. Em 2018, esse foi o caso da Rosas de Ouro: além do enredo muito bem desenvolvido sobre caminhoneiros, os compositores acertaram em cheio no samba.

O fato de ser o primeiro carnaval integralmente produzido na Fábrica do Samba (para apenas sete escolas, já que a inauguração completa para as catorze escolas foi prometida pelo prefeito João Doria para o segundo semestre de 2018) também é um diferencial?—?tanto que o CD com os sambas-enredo foram gravados no local, na Barra Funda. Sorte de Unidos de Vila Maria, Vai-Vai, Acadêmicos do Tatuapé, Acadêmicos do Tucuruvi, Gaviões da Fiel, Tom Maior e Dragões da Real, que já estão no local concebido especialmente para as escolas.

O grande fato do pré-carnaval aconteceu já em 2018: no dia 04 de janeiro, um incêndio no barracão onde eram guardadas as fantasias da Acadêmicos do Tucuruvi destruiu cerca de 90% das fantasias do Zaca. Na mesma noite, a LIGA-SP definiu que a escola será considerada hors-concours?—?ou seja, não será avaliada e está garantida no Grupo Especial em 2019, mas não buscará título nem Desfile das Campeãs.

O regulamento é o mesmo dos últimos anos: duas escolas caem (e duas sobem do Acesso); mínimo de cinquenta e cinco e máximo de sessenta e cinco minutos de desfile; nove quesitos (Bateria, Harmonia, Evolução, Fantasia, Alegorias e Adereços, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Samba-Enredo, Comissão de Frente e Enredo) e quatro julgadores para cada um deles, com descarte da menor nota em cada critério de avaliação.

Sem mais delongas, chegou a hora de apresentar cada uma das catorze escolas do Grupo Especial de São Paulo, por ordem de desfile:

Independente

Vice-campeã do Grupo de Acesso, a chegada da escola já inflamou os ânimos de quem é contrário à presença das escolas de samba oriundas de torcidas organizadas de futebol. Criou-se, também, o curioso caso do time de futebol (São Paulo) que coloca duas escolas de samba diferentes da sua torcida (a Dragões da Real é a outra formada por são-paulinos) no principal pelotão do carnaval paulistano. Por méritos próprios das respectivas torcidas, diga-se.

Para superar polêmicas e desconfianças, a Independente apostou em um enredo muito imagético: filmes de terror. Se a concepção é simples e impactante (algo muito desejável em um desfile), transformar o tema em um enredo é algo complicado. E, aqui, a tricolor teve dificuldades: ao optar por não fazer referências diretas, o enredo pode ser encarado como algo genérico demais. O samba, embora não seja dos piores da safra, certamente também não é dos mais ouvidos.

A Independente, claramente, aposta tudo na plástica do desfile para ficar no Especial. Aposta ousada, mas que pode render um belo prêmio à escola.

Presidente: Alessandro Oliveira Santana (Batata) | Bairro: Vila Guilherme | Ordem: primeira na sexta de carnaval | Em 2017: vice-campeã do Grupo de Acesso | Enredo: “Em cartaz: Luz, câmera e… terror. Uma produção Independente!” | Diretores de carnaval: Pê Santana e Márcio André | Diretor de Harmonia: Demis Roberto | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Cley e Lenita | Puxadores: Rafael Pínah e Pê Santana | Carnavalescos: André Cezari, Roberto Monteiro e Anderson Rodrigues | Bateria: Ritmo Forte | Diretor de Bateria: Mestre Klemen Gioz

Fique de olho: Demis Roberto, que chegou esse ano à Harmonia da Independente, ficou anos no Grupo Especial?—?sua escola em 2017 era a Unidos de Vila Maria, que tirou nota máxima no quesito. André Cezari é outro com passagens por escolas de renome, como Rosas de Ouro e Beija-Flor.

Unidos do Peruche

Depois de muitos anos, a Filial do Samba parece, enfim, ter conseguido se manter no Grupo Especial. Se os resultados seguem próximos da Zona de Rebaixamento, é um alento para uma das mais tradicionais agremiações do carnaval paulistano desfilar pelo terceiro ano seguido no principal pelotão da cidade. O contexto, porém, é um pouco menos favorável que em anos anteriores.

Grande artífice dos últimos bons desfiles da Peruche, o carnavalesco Murilo Lobo saiu da escola, substituído por Mauro Quintaes?—?de resultados e desfiles muito irregulares. O enredo, ao menos, é excelente: os oitenta anos de Martinho da Vila. O samba-enredo, porém, poderia ser mais bem trabalhado pela ala de compositores da Filial do Samba?—?escola com belíssimas canções em sua história.

Não deve ser esse ano que a Peruche vai alçar vôos maiores. Resta saber, agora, se o rebaixamento será um risco.

Presidente: Sidney de Moraes | Bairro: Peruche | Ordem: segunda na sexta de carnaval | Em 2017: décima primeira do Grupo Especial | Enredo: “ Peruche celebra Martinho: “80 anos do Dikamba da Vila”’ | Diretor de carnaval: Ednaldo Santos | Diretor de Harmonia: Antonio Soares | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Jefferson e Thais | Puxador: Toninho Penteado | Carnavalesco: Mauro Quintaes | Bateria: Rolo Compressor | Diretor de Bateria: Mestre Cal

Fique de olho: o samba-enredo da Unidos do Peruche tem nada mais nada menos que vinte e quatro compositores. Tudo isso para criar uma canção que, como já dito, poderia ser bem melhor.

Acadêmicos do Tucuruvi

Mesmo hors-concours, o Zaca vai desfilar no Anhembi?—?e, certamente, vai ganhar o carinho de todo o público após o trágico incêndio em seu depósito. Se não tem chances de ser campeã, a escola está garantida no Grupo Especial em 2019?—?algo que deve animar sr. Jamil, que passou a pedir publicamente um título após o falecimento de dna. Edna, esposa do presidente da escola.

O incêndio se torna ainda mais triste quando se pensa que a Tucuruvi era a escola que mais poderia evoluir em 2018. Com um bom enredo (e um samba facílimo de cantar) desenvolvido por Flavio Campello (atual campeão do carnaval de São Paulo, pela Tatuapé), o Gafanhoto viria forte para voltar a crescer no Grupo Especial.

Caso a escola mantenha seu staff em 2019, o Zaca deve vir forte para o até agora inédito título. Antes, receberá o mais puro espírito de gratidão e solidariedade que só o carnaval pode proporcionar.

Presidente: Hussein Abdo El Selam (sr. Jamil) | Bairro: Tucuruvi | Ordem: terceira na sexta de carnaval | Em 2017: oitava do Grupo Especial | Enredo: “ Uma Noite no Museu” | Diretores de carnaval: Comissão | Diretor de Harmonia: Ricardo Rodrigues | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Kawan e Waleska | Puxador: Alex Soares | Carnavalesco: Flavio Campello | Bateria: Pulso Forte | Diretor de Bateria: Mestre Guma Sena

Fique de olho: no incêndio de 04 de janeiro, absolutamente todas as fantasias da ala das baianas foi perdida. A passagem das senhores da Tucuruvi pela Anhembi deve ser emocionante.

Mancha Verde

Desde o estranhíssimo rebaixamento em 2013, a escola de samba ligada à torcida organizada do Palmeiras nunca mais se encontrou. De lá para cá, foram duas passagens pelo Grupo de Acesso e três desfiles de pouca força no Especial. Para tentar algo diferente, a Mancha Verde apostou em boa parte dos nomes de 2017?—?para surpresa de muitos, a exemplo do autor.

Um dos integrantes dos “bons tempos” da Mancha, o carnavalesco Magoo há tempos não emplaca um bom desfile. O enredo desse ano, que fala da amizade com o Fundo de Quintal como pano de fundo, também não é dos mais inspirados. A escola, porém (e assim como o próprio Palmeiras), terá uma belíssima ajuda da Crefisa: R$ 2,3 milhões.

Sem a ajuda da Crefisa, não seria surpreendente colocar a escola entre as favoritas ao rebaixamento. Com o aporte, porém, a escola deve se garantir nos quesitos estéticos?—?uma grande ajuda na luta nas posições inferiores.

Presidente: Paulo Serdan | Bairro: Barra Funda | Ordem: quarta na sexta de carnaval | Em 2017: décima no Grupo Especial | Enredo: “ A amizade. A Mancha agradece do fundo do nosso quintal” | Diretor de carnaval: Paolo Bianchi | Diretores de Harmonia: Marcos da Silva, Danilo Almeida e Bruno Ferrari | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Marcelo Luiz e Adriana | Puxador: Freddy Vianna | Bateria: Puro Balanço | Diretor de Bateria: Mestre Maradona

Fique de olho: o enredo para 2018 surgiu no começo de 2017, logo após a morte de Moacir Bianchi, o Moa, um dos fundadores da Mancha Verde, em uma execução que ganhou muito destaque na mídia à época.

Acadêmicos do Tatuapé

Grande campeã do carnaval de 2017, a Tatuapé escapou praticamente ilesa ao assédio de outras escolas aos seus nomes. A grande baixa foi o carnavalesco Flavio Campello, que foi para a hors-concours Tucuruvi. Com um bom e empolgado staff, pode-se esperar bastante da escola da Zona Leste?—?a começar pela sua comunidade, que costuma cantar forte na avenida.

A grande surpresa da escola veio no sorteio da ordem dos desfiles. Podendo escolher qualquer horário, a Tatuapé optou por desfilar na primeira noite, que costuma fazer menos campeãs. Há, porém, o lado místico: foi no quinto horário da sexta de carnaval que a agremiação conseguiu o título ano passado.

Com basicamente a mesma equipe, um bom samba-enredo e o Maranhão homenageado com um belo texto do carnavalesco, é justo dizer que a lista das favoritas ao título em 2018 começa aqui.

Presidente: Eduardo dos Santos | Bairro: Tatuapé | Ordem: quinta na sexta de carnaval | Em 2017: campeã no Grupo Especial | Enredo: “ Maranhão, os tambores vão ecoar na terra da encantaria” | Diretores de Carnaval: Comissão | Diretores de Harmonia: Edu Sambista, Giba e Fabiana | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Diego e Jussara | Puxador: Celsinho Mody | Carnavalesco: Wagner Santos | Bateria: Qualidade Especial | Diretor de Bateria: Mestre Higor
Unidos do Peruche

Depois de muitos anos, a Filial do Samba parece, enfim, ter conseguido se manter no Grupo Especial. Se os resultados seguem próximos da Zona de Rebaixamento, é um alento para uma das mais tradicionais agremiações do carnaval paulistano desfilar pelo terceiro ano seguido no principal pelotão da cidade. O contexto, porém, é um pouco menos favorável que em anos anteriores.

Grande artífice dos últimos bons desfiles da Peruche, o carnavalesco Murilo Lobo saiu da escola, substituído por Mauro Quintaes?—?de resultados e desfiles muito irregulares. O enredo, ao menos, é excelente: os oitenta anos de Martinho da Vila. O samba-enredo, porém, poderia ser mais bem trabalhado pela ala de compositores da Filial do Samba?—?escola com belíssimas canções em sua história.

Não deve ser esse ano que a Peruche vai alçar vôos maiores. Resta saber, agora, se o rebaixamento será um risco.

Presidente: Sidney de Moraes | Bairro: Peruche | Ordem: segunda na sexta de carnaval | Em 2017: décima primeira do Grupo Especial | Enredo: “ Peruche celebra Martinho: “80 anos do Dikamba da Vila”’ | Diretor de carnaval: Ednaldo Santos | Diretor de Harmonia: Antonio Soares | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Jefferson e Thais | Puxador: Toninho Penteado | Carnavalesco: Mauro Quintaes | Bateria: Rolo Compressor | Diretor de Bateria: Mestre Cal

Fique de olho: o samba-enredo da Unidos do Peruche tem nada mais nada menos que vinte e quatro compositores. Tudo isso para criar uma canção que, como já dito, poderia ser bem melhor.
Acadêmicos do Tucuruvi

Mesmo hors-concours, o Zaca vai desfilar no Anhembi?—?e, certamente, vai ganhar o carinho de todo o público após o trágico incêndio em seu depósito. Se não tem chances de ser campeã, a escola está garantida no Grupo Especial em 2019?—?algo que deve animar sr. Jamil, que passou a pedir publicamente um título após o falecimento de dna. Edna, esposa do presidente da escola.

O incêndio se torna ainda mais triste quando se pensa que a Tucuruvi era a escola que mais poderia evoluir em 2018. Com um bom enredo (e um samba facílimo de cantar) desenvolvido por Flavio Campello (atual campeão do carnaval de São Paulo, pela Tatuapé), o Gafanhoto viria forte para voltar a crescer no Grupo Especial.

Caso a escola mantenha seu staff em 2019, o Zaca deve vir forte para o até agora inédito título. Antes, receberá o mais puro espírito de gratidão e solidariedade que só o carnaval pode proporcionar.

Presidente: Hussein Abdo El Selam (sr. Jamil) | Bairro: Tucuruvi | Ordem: terceira na sexta de carnaval | Em 2017: oitava do Grupo Especial | Enredo: “ Uma Noite no Museu” | Diretores de carnaval: Comissão | Diretor de Harmonia: Ricardo Rodrigues | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Kawan e Waleska | Puxador: Alex Soares | Carnavalesco: Flavio Campello | Bateria: Pulso Forte | Diretor de Bateria: Mestre Guma Sena

Fique de olho: no incêndio de 04 de janeiro, absolutamente todas as fantasias da ala das baianas foi perdida. A passagem das senhores da Tucuruvi pela Anhembi deve ser emocionante.
Rosas de Ouro

Pior colocação da história em 2016, recuperação em 2017 e escola mais aguardada em 2018. A ascensão da Rosas de Ouro foi tão rápida quanto a sua queda, e isso passa pelo staff formado na escola da Freguesia do Ó. O retorno do histórico Royce do Cavaco, a chegada do competente André Machado e a aceitação da comunidade ante o trabalho de Mestre Rafa são fundamentais na recuperação da Roseira.

O grande enredo da escola, sobre caminhoneiros, ganhou o que é, pra muitos, o melhor samba-enredo de 2018. Resta saber como será a plástica da escola, que deve terminar seu desfile já com os primeiros raios de Sol no céu.

Vir depois de uma escola que deve brigar pelo título pode prejudicar, mas creio que a Rosas de Ouro deve brigar de igual pra igual com qualquer agremiação pelo caneco.

Presidente: Angelina Basílio | Bairro: Freguesia do Ó | Ordem: sexta na sexta de carnaval | Em 2017: quinta no Grupo Especial | Enredo: “Pelas estradas da vida, sonhos e aventuras de um herói brasileiro” | Diretor de carnaval: Alexandre Vicente | Diretor de Harmonia: João Roberto Dias | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Marquinhos e Isabel | Puxador: Royce do Cavaco | Carnavalesco: André Machado | Bateria: Bateria Com Identidade | Diretor de Bateria: Mestre Rafa

Fique de olho: se o samba foi muito elogiado, a gravação do samba no CD oficial (que costuma ser uma grande prévia do desfile) teve uma bateria aceleradíssima. Caso isso de fato aconteça na grande noite, a Roseira pode por a perder uma grande canção.
Império de Casa Verde

O Tigre estava adormecido no Grupo Especial, por vezes correndo risco até de rebaixamento. Eis que tudo mudou com Jorge Freitas. Logo no primeiro ano do carnavalesco, em 2016, a Império conquistou o tricampeonato. No ano passado, um honroso quarto lugar. Tudo isso com a marca registrada da escola: os imensos e fantásticos carros alegóricos.

O problema: os dois sambas sob a batuta de Jorge Freitas são de gosto, no mínimo, duvidoso?—?o de 2017 era minimamente melhor, mas nada de mais. Eis que, em 2018, o enredo que usa as manifestações populares que tomaram conta do Brasil desde 2013, será contada com a Revolução Francesa como pano de fundo. O tema, que poderia ser interessante, pareceu um pouco confuso para o autor. Se os jurados, porém, analisarem bem o texto, o Tigre briga pelo título. O que não tem salvação é o samba, que não empolga nem o mais fanático imperiano.

Mais uma vez, a Império aposta na parte plástica. Para ser campeão, porém, é preciso se dar bem em todos os quesitos.

Presidente: Alexandre Furtado | Bairro: Casa Verde | Ordem: segunda escola do sábado de carnaval | Em 2017: quarta no Grupo Especial | Enredo: “ O povo, a nobreza real” | Diretores de carnaval: Tiguês e Celsinho | Diretor de Harmonia: Serginho | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Rodrigo e Jessica | Puxador: Carlos Junior | Carnavalesco: Jorge Freitas | Bateria: Barcelona do Samba | Diretor de Bateria: Mestre Zoinho


Mocidade Alegre

Grande campeã do começo do milênio no carnaval paulistano, a Morada do Samba amargou seu quarto ano sem título?—?algo que não acontecia desde 1984. Foi, também, a primeira vez desde 2011 que a escola do Limão não vai para o Desfile das Campeãs. Para buscar o caneco, a comissão de carnaval (encabeçada pelo mangueirense Leandro Vieira) apostou em um nome que sempre dá samba: Alcione.

O bom enredo sobre a cantora gerou um samba de qualidade, mas que parece não ter uma faísca para uma grande explosão. Conta a favor da Morada, também, o horário: a escola está habituada a desfilar na segunda noite, entre a segunda e a terceira colocação.

Em 2017, a Morada pecou em dois quesitos: bateria e alegorias e adereços. Caso os ritmistas segurem o andamento da Ritmo Puro e os carnavalescos acertem os carros, a disputa pelo título deverá ter a escola do Limão.

Presidente: Solange Cruz Bichara Rezende | Bairro: Limão | Ordem: terceira do sábado de carnaval | Em 2017: sexta do Grupo Especial | Enredo: “A voz Marrom que não deixa o samba morrer” | Diretor de Carnaval: Junior Dentista | Diretor de Harmonia: Vanderley Silva | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Emerson e Karina | Puxadores: Tiganá e Ito Melodia | Carnavalescos: Comissão | Bateria: Ritmo Puro | Diretor de Bateria: Mestre Sombra


Vai-Vai

Grande favorita ao título no pré-carnaval de 2017, o desfile da Saracura fez água no ano passado?—?literalmente. Ao contrário de outros anos, a Vai-Vai entrou em clima de “já ganhou” e não correspondeu, mesmo com um samba primoroso. Para 2018, a ordem foi fugir dos holofotes e buscar um enredo que seja semelhante ao de anos de títulos da alvinegra. Se em 2015 (ano do último ano de título para a maior campeã do carnaval paulistano) o tema era Elis Regina, outro grande nome da MPB será homenageado: Gilberto Gil.

A comissão de carnaval, que já tinha Alexandre Louzada e Junior Schall, foi reforçada por Chico Spinoza e Delmo de Moraes. O quarteto de respeito, responsável por cinco títulos da agremiação, fez um enredo focado mais nas canções que na vida do cantor baiano?—?algo sempre perigoso, mas que rendeu um samba de boa qualidade.

Com carnavalescos tão competentes, Desfile das Campeãs é pouco para a Vai-Vai?—?que, mais uma vez, deve vir forte em busca do décimo sexto título.

Presidente: Darly Silva (Neguitão) | Bairro: Bela Vista | Ordem: quarta do sábado de carnaval | Em 2018: terceira no Grupo Especial | Enredo: “Sambar com Fé Eu Vou” | Diretor de Carnaval: Janaina Decarli | Diretores de Harmonia: Wagner Vela, Lourival Almeida, Edison Paulino (Buiu), Fernando Penteado e Caique Pereira | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Pingo e Paulinha | Puxadores: Grazzi Brasil e Gilsinho | Carnavalescos: Comissão | Bateria: Pegada de Macaco | Diretor de Bateria: Mestre Tadeu

Fique de olho: os seis décimos que a Vai-Vai perdeu na apuração do ano passado foram nos quesitos estéticos?—?Fantasias e Alegorias e Adereços. A chegada de Chico Spinoza e Delmo de Moraes é completamente compreensível a partir dessa informação.
Gaviões da Fiel

É justo dizer que a escola é a grande incógnita do ano. A agremiação foi uma das que mais mexeu em seu staff?—?isso se não for a que mais teve mudanças. Mas, por uma série de fatores, as expectativas são altas para a escola ligada à torcida organizada do Corinthians. A começar pelo horário: ser a quinta a desfilar na segunda noite costuma render bons resultados e, não raro, títulos.

Depois de quatro anos consecutivos (e sete ao todo desde 2009), Zilkson Reis deixou de ser o carnavalesco da escola. Sidnei França, de longa e vitoriosa passagem na Mocidade Alegre, assumiu o posto. A estreia não poderia ser melhor: o belo enredo sobre a cidade de Guarulhos rendeu um samba de ótima qualidade?—?aliás, fazia tempos que a Gaviões não emplacava uma canção tão boa. A bateria também é uma dúvida: depois de dezoito anos, Pantchinho não é mais o mestre da Ritimão?—?cargo agora ocupado por um de seus auxiliares de longa data, Mestre Ciro.

Escolas que mudam muito de um ano para o outro costumam sofrer no primeiro desfile. O caso da Gaviões, porém, parece ser diferente: longe do Desfile das Campeãs desde 2011, parece que a torcida corinthiana precisava de mudanças drásticas para decolar. E elas aconteceram.

Presidente: Rodrigo Fonseca | Bairro: Bom Retiro | Ordem: quinta do sábado de carnaval | Em 2018: nona do Grupo Especial | Enredo: “Guarus?—?Na aurora da criação, a profecia Tupi…Prosperidade e paz aos mensageiros de Rudá” | Diretor de Carnaval: Igor Carneiro | Diretores de Harmonia: Comissão | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Wagner e Drika | Puxador: Ernesto Teixeira | Carnavalesco: Sidnei França | Bateria: Ritimão | Diretor de Bateria: Mestre Ciro

Fique de olho: de acordo com o ótimo mapa do Globoesporte.com em parceria com o Facebook, quase 45% da população de Guarulhos (segunda maior cidade do estado de São Paulo) é corinthiana. Mais um motivo para o enredo ser tão festejado.
Dragões da Real

Desde que chegou ao Grupo Especial, a escola da torcida organizada do São Paulo (pois é, outra) surpreende com ótimas colocações e um conjunto estético de tirar o fôlego. O sonho de fazer um desfile campeão já veio?—?no ano passado, a Dragões foi vice-campeã com a mesma pontuação da Tatuapé, perdendo nos critérios de desempate. Para buscar o título nesse ano, nada como manter a base.

A única grande mudança em relação a 2017 está na comissão de carnavalescos: Jorge Silveira foi para a São Clemente, deixando Dione Leite, Márcio Gonçalves e Rogério Félix na agremiação. Eles bolaram o belo enredo sobre música sertaneja?—?que ganhou com força o carnaval nos últimos anos, correndo o risco de passar sem o destaque que merece pelo Anhembi. O samba, embora tenha qualidade, tem seus pecados: o excesso de citações de músicas do gênero musical homenageado.

A Dragões aparenta estar com um pouco menos de força que em 2017. Mas nunca deve ser descartada.

Presidente: Renato Remondini (Tomate) | Bairro: Vila Anastácio | Ordem: sexta do sábado de carnaval | Em 2018: vice-campeã do Grupo Especial | Enredo: “Minha música, Minha raiz! Abram a porteira para essa gente caipira e feliz!” | Diretor de Carnaval: Marcio Santana | Diretor de Harmonia: Rogério Felix | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Rubens e Evelyn | Puxador: Renê Sobral | Carnavalescos: Comissão | Bateria: Ritmo Que Incendeia | Diretor de Bateria: Mestre Tornado

Fique de olho: a bateria da escola perdeu dois décimos nas últimas duas apurações?—?uma enormidade para quem quer ser campeã. De muita história na Rosas de Ouro, Mestre Tornado deve ter trabalho para corrigir os erros dos ritmistas em 2018.
Unidos de Vila Maria

Após um desfile primoroso em 2016 (na opinião do autor, o melhor daquele ano), a Vila Maria desapontou em 2017 e nem para o Desfile das Campeãs voltou. Ao invés de manter o staff, novas trocas aconteceram na escola. Fran-Sérgio, histórico integrante da Beija-Flor, é o novo carnavalesco e bolou um enredo muito perigoso. O texto retrata a história do México contada pelos personagens Chaves e Chapolin, eternizados por Roberto Gómez Bolaños. O samba, muito irregular, tem pontos de inspiração e trechos thrash?—?como por exemplo “‘Sigam-me os bons!’ pro berço que abrigou as civilizações”.

Pra ajudar, o tão competente quanto polêmico Wander Pires gravou o samba claramente rouco?—?o que já despertou os que sempre o criticaram por falta de profissionalismo. Mais uma vez, o ponto alto da passagem da escola deve ser a Cadência da Vila, discutivelmente a melhor bateria do carnaval de São Paulo nos últimos anos?—?a escola não perde um décimo sequer no quesito desde 2014.

Título parece um sonho distante para a Vila Maria?—?até o Desfile das Campeãs, talvez. O rebaixamento também não parece ser uma preocupação. A escola da Zona Norte deve se reconstruir para voltar a ser forte em 2019.

Presidente: Adilson José de Souza | Bairro: Vila Maria | Ordem: sétima do sábado de carnaval | Em 2018: sétima do Grupo Especial | Enredo: “Aproveitam-se de minha nobreza, você não soube, não te contaram? Suspeitei desde o principio! Não contavam com minha astúcia! Arriba Bolanõs, Arriba Vila, Arriba Mexico” | Diretor de Carnaval: Marcelo Müller | Diretores de Harmonia: Comissão | Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Everson e Laís | Puxador: Wander Pires | Carnavalesco: Fran-Sérgio | Bateria: Cadência da Vila | Diretor de Bateria: Mestre Moleza

Fique de olho: famosa por ser uma bateria leve e cadenciada (e muito competente), os ritmistas da Vila Maria criaram até uma hashtag que diz muito sobre o pensamento da bateria da escola: #ProibidoCorrer
Texto: Willian Ferreira
Voltar
Tenha você também a sua rádio